Como usar IA na medicina?
Use a IA como apoio, nunca como quem decide. Os principais usos são escrever a documentação da consulta, apoiar a decisão clínica, analisar exames de imagem, fazer triagem e falar com o paciente, e cuidar de tarefas administrativas. Pela Resolução CFM nº 2.454/2026, você revisa e responde pelo resultado, informa o paciente e registra o uso no prontuário.
Resposta rápida
- A IA é apoio: diagnóstico, prognóstico e prescrição são do médico (Resolução CFM 2.454/2026).
- O paciente deve ser informado, pode recusar, e o uso fica registrado no prontuário.
- A OMS alerta para respostas falsas, viés e excesso de confiança na IA.
- Em chat de uso geral, não coloque nada que identifique o paciente.
Quais são alguns exemplos de inteligência artificial na medicina?
Os principais exemplos são ferramentas de IA que escrevem a documentação da consulta, apoiam a decisão clínica, analisam exames de imagem, fazem triagem e conversam com o paciente, ou cuidam de tarefas administrativas. A OMS cita esses usos, além do ensino e da pesquisa, no guia de 2024 sobre IA generativa na saúde.[4][5][1]
Em todos os casos, a IA prepara e o médico decide. A Resolução CFM nº 2.454/2026 vale para os sistemas de IA usados na medicina, inclusive os de gestão em saúde, e nenhum deles pode restringir ou substituir a autoridade final do médico (art. 18, § 1º).
| Uso | O que a IA faz | O que fica com você |
|---|---|---|
| Documentação | Escreve a evolução | Revisar e assinar |
| Apoio à decisão | Sugere hipóteses e alertas | Decidir a conduta |
| Exames de imagem | Aponta achados no exame | Confirmar o achado |
| Triagem e paciente | Orienta e organiza sintomas | Dar diagnóstico e conduta |
| Administração | Agenda, lembretes e guias | Conferir antes de enviar |
| Estudo | Resume a literatura | Checar as fontes |
Documentação e transcrição
A IA ouve a consulta, com o paciente informado, separa as falas e escreve um rascunho da evolução. Algumas também preparam receita, atestado e pedido de exame a partir da conduta. A OMS cita o rascunho de notas clínicas entre os usos e alerta para erros de transcrição: por isso, pede que a maior parte dessas tarefas não seja totalmente automatizada.
Na Aura, prontuário eletrônico com IA, a Consulta com IA funciona assim: você grava a consulta; a evolução chega escrita no seu modelo para revisar e assinar. Com o Dr. Aurélio, você pergunta sobre o paciente e recebe a resposta com a fonte no prontuário.
Apoio à decisão clínica
São sistemas que sugerem hipóteses diagnósticas, apontam alertas ou resumem evidências para o caso. A Resolução CFM nº 2.454/2026 inclui os algoritmos de apoio à decisão clínica na definição de sistema de IA e diz que diagnóstico, prognóstico e prescrição cabem sempre ao médico, que acolhe ou rejeita a sugestão (art. 18, § 2º).
Exames de imagem
A OMS cita a radiologia e a imagem médica, a tuberculose e a oncologia entre as áreas em que a IA já ajuda no diagnóstico. Um exemplo: desde 2021, a OMS recomenda software de detecção assistida por computador para ler radiografias de tórax na triagem de tuberculose, em pessoas a partir de 15 anos. Quem tem resultado positivo faz exame confirmatório antes de tratar.
Triagem e comunicação com o paciente
Chatbots respondem dúvidas, orientam o agendamento e organizam os sintomas antes da consulta. No anexo II da resolução do CFM, um chatbot que dá informação geral de saúde, sem aconselhamento clínico personalizado, é exemplo de baixo risco. E o médico não pode delegar à IA a comunicação de diagnóstico, prognóstico ou decisão terapêutica sem mediação humana (art. 5º, § 2º).
Tarefas administrativas
Aqui entram agenda, lembretes, faturamento e autorização de convênio. O anexo II da resolução cita o agendamento de consultas e o resumo de literatura médica para uso interno como exemplos de baixo risco. A OMS lista, entre os usos esperados, códigos de faturamento, agendamento de exames e autorização prévia de convênios.
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Como começar a usar IA no consultório?
Comece por uma tarefa repetitiva que você consegue conferir, como a documentação da consulta ou as mensagens da agenda. Escolha uma ferramenta feita para saúde e siga a Resolução CFM nº 2.454/2026: avise o paciente, revise cada resultado e registre no prontuário quando a IA apoiou a decisão.[1][6]
- Escolha uma tarefa: a evolução da consulta, orientações por escrito ou mensagens da agenda.
- Escolha a ferramenta: feita para saúde, com contrato, política de privacidade publicada e segurança para dado sensível (CFM, art. 6º, § 3º; LGPD, art. 46).
- Pergunte ao fornecedor a finalidade, os limites, os riscos e o grau de evidência da ferramenta, e em que nível de risco ela foi classificada (art. 3º, II, e art. 13).
- Avise o paciente de forma clara e respeite a recusa (art. 5º, §§ 1º e 3º, e art. 11).
- Revise cada resultado com julgamento crítico antes de assinar ou enviar (art. 4º, II).
- Registre no prontuário o uso de IA como apoio à decisão (art. 4º, V).
- Se notar falha ou risco relevante, comunique às instâncias competentes (art. 7º, § 2º).
Qual é o melhor aplicativo para anamnese?
Depende de quando a anamnese acontece. Antes da consulta, serve um formulário que o paciente responde pelo celular. Durante a consulta, serve uma IA que transcreve a conversa e organiza a história no seu modelo de evolução. Em qualquer caso, prefira um aplicativo que escreva dentro do prontuário e deixe você revisar antes de assinar.[1]
Formulário e IA se somam: o formulário adianta o motivo da consulta e os remédios em uso; a IA registra o que surgiu na conversa. Nenhum dos dois substitui a anamnese feita por você. Para comparar ferramentas e preços, veja o guia sobre a melhor IA para médicos, nos links ao fim desta página.
- Seu roteiro: as perguntas e a ordem da sua especialidade, em modelos que você edita.
- Revisão: o texto chega como rascunho, e você corrige antes de assinar.
- Origem do texto: dá para conferir de onde veio cada trecho na conversa.
- Aviso ao paciente: um jeito de registrar que ele foi informado do uso de IA (CFM, art. 5º, § 1º).
- Dados: contrato, política de privacidade publicada e quem recebe o áudio e o texto.
O ChatGPT pode ser usado para diagnóstico médico?
Pode ajudar a pensar em hipóteses, mas não decide. Pela Resolução CFM nº 2.454/2026, diagnóstico, prognóstico e prescrição cabem sempre ao médico, que acolhe ou rejeita a sugestão da IA. Num chat de uso geral, descreva o caso sem nenhum dado que identifique o paciente.[1][4]
A OMS lembra que vários modelos de linguagem já passaram na prova de licenciamento médico dos Estados Unidos, mas passar numa prova escrita não é o mesmo que atender com segurança. As respostas inventadas, as chamadas alucinações, não se distinguem das corretas pelo texto: confira cada hipótese no exame do paciente e na literatura.
Não existe uma IA melhor para diagnóstico em geral. Para tarefas diagnósticas, como ler exames, prefira ferramentas validadas para essa finalidade: a resolução garante ao médico o direito de recusar IA sem validação científica adequada ou certificação regulatória pertinente (art. 3º, III).
Se a sugestão da IA pesou na sua decisão, registre no prontuário o uso de IA como apoio (art. 4º, V).
Quais são os melhores prompts de ChatGPT para médicos?
Os melhores prompts dizem a tarefa, para quem é o texto e o formato, dão o contexto clínico sem identificar o paciente e pedem fontes que você possa conferir. Nunca cole nome, CPF, data de nascimento, telefone, fotos ou documentos do paciente num chat de uso geral.[1][7][4]
Se a dúvida é clínica, pergunte direto ao Dr. Aurélio no Aura Chat, sem montar o prompt.
A Resolução CFM nº 2.454/2026 define prompt como o texto que se dá à IA generativa para uma tarefa, por exemplo uma pergunta clínica ou o pedido de um resumo de caso. A ANPD lembra que prompts e anexos podem levar registros, receitas e laudos médicos ao sistema, e que quem compartilha dados de outras pessoas com uma IA generativa pode, conforme o contexto, ser considerado agente de tratamento.
Modelos de prompt para adaptar
Troque o que está entre colchetes. Nenhum modelo pede dado que identifique o paciente, e a resposta é sempre um rascunho: se ela pesar na conduta de um paciente, registre no prontuário o uso de IA (CFM, art. 4º, V).
- Orientação ao paciente: “Escreva orientações para um adulto que vai começar [medicamento] para [condição]: como tomar, efeitos comuns e quando procurar atendimento. Linguagem simples, até 150 palavras.”
- Explicação de exame: “Explique o que é [exame] e como se preparar, para alguém sem formação em saúde, em até 5 frases.”
- Modelo de documento: “Crie um modelo de evolução no formato SOAP para retorno de [condição] em [especialidade], com os campos em branco.”
- Revisão de texto: “Revise o texto abaixo quanto à clareza e ao português, sem mudar o conteúdo clínico: [texto sem dados do paciente].”
- Estudo: “Resuma as recomendações de [diretriz, sociedade e ano] sobre [tema] e indique a seção de cada ponto, para eu conferir no original. Se não souber, diga que não sabe.”
- Caso para estudo: “Para [quadro clínico sem idade exata, datas ou local], liste diagnósticos diferenciais e o achado que ajuda a distinguir cada um.”
- Comunicação da clínica: “Escreva uma mensagem curta e cordial avisando que a clínica não vai atender em [data], com o contato para urgências.”
O que não colocar no prompt
- Nome, CPF, data de nascimento, telefone, endereço ou número do prontuário.
- Fotos, áudios, exames, receitas ou laudos com identificação.
- Detalhes que, juntos, apontam para uma pessoa, como idade exata, bairro e uma doença rara.
- Um pedido para a IA comunicar diagnóstico ou conduta direto ao paciente (CFM, art. 5º, § 2º).
Confira toda referência que a IA citar: a OMS registra que esses modelos chegam a inventar referências.
O que a Resolução CFM 2.454/2026 permite e proíbe?
Ela permite usar IA como apoio à prática, à decisão clínica, à gestão, à pesquisa e ao ensino. Exige que o médico decida e responda pelo ato, que o paciente seja informado e possa recusar e que o uso fique registrado no prontuário. Proíbe deixar a IA comunicar diagnóstico ou conduta sem mediação humana.[1][2]
A resolução foi publicada no Diário Oficial em 27/02/2026, está em vigor desde 26/08/2026 e vale também para sistemas que já estavam em uso (art. 21). A lista completa de deveres do médico está no guia sobre a melhor IA para médicos, nos links ao fim desta página.
O que a resolução garante ao médico
- Recusar IA sem validação científica adequada ou certificação regulatória pertinente (art. 3º, III).
- Receber informação clara sobre finalidade, limites, riscos e grau de evidência da ferramenta (art. 3º, II).
- Não seguir a IA de forma automática; nenhum médico é penalizado por não seguir a IA se agir conforme os preceitos técnicos e éticos (art. 3º, IV, e art. 19, § 1º).
- Desligar a IA que julgar inadequada para o caso, assumindo essa decisão (art. 19).
- Ser protegido de responsabilização indevida por falha atribuível só à IA, se comprovado o uso diligente, crítico e ético (art. 3º, V).
O que a resolução proíbe
- Delegar à IA a comunicação de diagnóstico, prognóstico ou decisão terapêutica sem mediação humana (art. 5º, § 2º).
- Usar IA que não garanta segurança mínima para dados sensíveis (art. 6º, § 3º).
- Sistemas de IA que restrinjam ou substituam a autoridade final do médico (art. 18, § 1º).
Níveis de risco
Instituições que desenvolvem ou usam IA fazem uma avaliação preliminar e classificam a ferramenta em risco baixo, médio, alto ou inaceitável (art. 12 e 13). O anexo II dá exemplos: agendamento e chatbot de informação geral são de baixo risco; sistemas que apoiam decisões clínicas sem executá-las sozinhos, de médio risco; os que influenciam diretamente decisões críticas ou agem sozinhos com consequência clínica, de alto risco.
Conferimos em 29/10/2026: não encontramos decisão judicial que suspenda a resolução.
Como proteger os dados do paciente ao usar IA?
Trate dado de saúde como dado pessoal sensível, como manda a LGPD (art. 5º, II). Use só o necessário, só para o cuidado e só em ferramenta com contrato e segurança. Num chat de uso geral, não coloque nada que identifique o paciente: tirar o nome nem sempre basta.[6][1][4]
A LGPD permite tratar dado de saúde com consentimento específico e destacado ou, sem ele, em casos como a tutela da saúde em procedimento feito por profissionais ou serviços de saúde (art. 11). Valem os princípios de finalidade, necessidade, transparência e segurança (art. 6º) e o dever de proteger os dados com medidas técnicas e administrativas (art. 46).
Só deixa de ser dado pessoal o dado anonimizado de verdade: o que não permite identificar a pessoa por meios técnicos razoáveis (art. 5º, III, e art. 12).
A OMS alerta que profissionais que colocam dados de pacientes num chat de IA podem violar leis de proteção de dados e, ao confiar na ferramenta, tendem a expor mais do que percebem. A Resolução CFM nº 2.454/2026 vai na mesma linha: dado do paciente só vai para a IA quando for estritamente necessário e para a finalidade informada a ele (art. 6º, § 1º).
Para os papéis de controlador e operador, o contrato com o fornecedor, a transferência internacional e o vazamento de dados, veja o guia sobre LGPD, IA e dados do paciente.
O que a OMS diz sobre o uso da IA na saúde?
Em janeiro de 2024, a OMS publicou orientações sobre IA generativa na saúde, com mais de 40 recomendações a governos, empresas de tecnologia e serviços de saúde. Ela vê usos no diagnóstico, no atendimento, na documentação, no ensino e na pesquisa, e alerta para respostas falsas, viés, excesso de confiança e riscos à privacidade.[3][4]
O guia trata dos grandes modelos multimodais, a IA generativa que recebe e produz texto, imagem e outros tipos de dado. A própria OMS avisa que muitas aplicações ainda não foram comprovadas e podem não entregar os benefícios anunciados.
Os seis princípios da OMS para IA na saúde, de 2021, seguem como base: proteger a autonomia; promover o bem-estar, a segurança e o interesse público; garantir transparência, explicabilidade e inteligibilidade; promover responsabilidade e prestação de contas; garantir inclusão e equidade; e promover IA responsiva e sustentável.
Para os profissionais, a OMS recomenda treino para entender como esses modelos chegam a uma resposta e quais são seus limites, evitar o viés de automação, conversar com pacientes que usam IA e conhecer os riscos de segurança digital. E o paciente deve saber quando uma informação gerada por IA pesou numa decisão médica.
Os riscos que a OMS aponta
- Respostas imprecisas, incompletas, enviesadas ou falsas, as chamadas alucinações.
- Dados de treino de baixa qualidade ou enviesados.
- Viés de automação: o profissional deixa passar um erro que deveria ver.
- Perda de habilidades com o uso contínuo.
- Privacidade e consentimento informado do paciente.
Perguntas
frequentes.
Qual é a IA mais confiável?
O ChatGPT acerta diagnósticos?
Qual é o impacto da IA na medicina?
A clínica pode obrigar o médico a seguir a IA?
Como a IA está sendo usada na oncologia?
O que é IA para prontuário médico?
O que mudou nesta página
- : Primeira versão: exemplos de uso, prompts sem dados do paciente, Resolução CFM nº 2.454/2026, guia da OMS de 2024 e LGPD.
Fontes
- [1] Conselho Federal de Medicina, Resolução CFM nº 2.454/2026: uso da inteligência artificial na medicina: sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2026/2454_2026.pdf, acesso em .
- [2] Conselho Federal de Medicina, Regras sobre uso da IA na medicina entram em vigor em 26 de agosto: portal.cfm.org.br/noticias/regras-sobre-uso-da-ia-na-medicina-entram-em-vigor-no-dia-26-de-agosto, acesso em .
- [3] Organização Mundial da Saúde, WHO releases AI ethics and governance guidance for large multi-modal models: www.who.int/news/item/18-01-2024-who-releases-ai-ethics-and-governance-guidance-for-large-multi-modal-models, acesso em .
- [4] Organização Mundial da Saúde, Ethics and governance of artificial intelligence for health: guidance on large multi-modal models: www.who.int/publications/i/item/9789240084759, acesso em .
- [5] Organização Mundial da Saúde, WHO approves six software products for computer-aided detection of TB on chest X-ray: www.who.int/news/item/11-06-2025-who-approves-six-software-products-for-computer-aided-detection-of-tb-on-chest-x-ray, acesso em .
- [6] Presidência da República, Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm, acesso em .
- [7] ANPD, Radar Tecnológico nº 3: Inteligência Artificial Generativa: www.gov.br/anpd/pt-br/centrais-de-conteudo/documentos-tecnicos-orientativos/radar_tecnologico_ia_generativa_anpd.pdf, acesso em .
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação do CFM, da Anvisa ou de uma assessoria jurídica.
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